Itambé: Policial que matou jovem é condenado a 19 anos de prisão e perde a farda militar

Após 17 horas de julgamento, às 2h45 da madrugada desta terça-feira (13) a Juíza de Direito Adriana Karla Diniz Gomes da Costa, presidente da 2ª sessão da 1ª Reunião Periódica do Tribunal do Júri da Comarca de Parauapebas, concluiu a leitura da sentença que condenou o PM Francisco Gledson da Conceição Souza, a 19 anos, e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da jovem itambeense Mikaely Steffany Ferraz Spínola, 22 anos, no dia 31 de agosto de 2016, no Bairro Rio Verde, em Parauapebas/Pará, por um disparo de arma de fogo.

A defesa do soldado sustentava que a jovem Mikaely teria cometido suicídio, fato desmentido pela perícia técnica do Instituto Renato Chaves.

Os jurados, por maioria de votos reconheceram que no dia 31 de agosto de 2016, a vítima Mikaely Steffany Ferraz foi atingida por disparo de arma de fogo, efetuado pelo réu Francisco Gledson da Conceição, causando a sua morte.

Os jurados a reconheceram também, por maioria de votos, a tese do Ministério Público, que apontou motivo fútil (Possessividade e ciúmes excessivo em relação à vítima), o crime cometido pelo militar, além do emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, em razão de o policial ter se utilizado de uma arma de fogo durante o homicídio.

A Magistrada fixou pena definitiva do sentenciado Francisco Gledson da Conceição Sousa, em 19 anos e 03 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato de Makaely. Gledson se encontra preso desde 07/10/2016.

Conforme comprovado nos autos, o réu se utilizava de sua condição de policial, bem como de sua arma para intimidar não só a vítima, como também outras pessoas, fatos esses que, aliados ao crime perpetrado, revelaram seu despreparo para o exercício do cargo público. Desta forma, a Magistrada decretou que Gledson deva ser impedido de continuar a desempenhar a função de policial militar, sob pena de causar prejuízo ainda maior à coletividade.

Após o julgamento, o sentenciado foi recolhido ao estabelecimento prisional para cumprimento de pena. // Com informações do Portal Zedudu

Não foi suicídio! Cabo PM é preso pelo assassinato da itambeense Mikaely

No dia 31 de agosto 2016, a jovem itambeense Mikaely Steffany Ferraz Spinola, 22 anos, foi encontrada morta na cidade de Parauapebas/Pará, na Rua Amazonas no bairro Rio Verde, em sua residência, vítima de um disparo de arma de fogo. Com ela, no momento do disparo, estava o Cabo PM Gleidson Maciel (foto), lotado no 23º Batalhão de Polícia Militar de Parauapebas.

Na época, o caso foi tratado como suposto suicídio, já que, conforme depoimento prestado pelo militar, a jovem havia lhe enviado uma mensagem, via celular, minutos antes do disparo dando conotação de suicídio.

No mesmo dia, a delegada Yanna Kaline W. de Azevedo, da Polícia Civil em Parauapebas, solicitou que o Centro de Perícias Científicas Renata Chaves realizasse perícia de local de crime com cadáver e provas foram colhidas na tentativa de averiguar a afirmação do Cabo PM.

Em laudo pormenorizado de 26 laudas assinado pelo perito Celso Bandeira de Sá, o perito afirma categoricamente que, após analisar todas as provas, a posição em que o corpo foi encontrado, e simular situações que podem ter provocado a morte de Mikaely, chegou a conclusão de “tratar-se de morte violenta, do tipo HOMICÍDIO, pela ação de instrumento perfurocontundente (projétil de arma de fogo), no local e nas circunstâncias descritas no laudo”.

Afirma ainda o laudo: a forma e localização da lesão observada no cadáver são consideradas atípicas para a caracterização de um suicídio. Para corroborar a conclusão que foi homicídio, o perito cita que:

  • Não havia sinais de arrombamento, ou de luta no imóvel;
  • Não havia bilhetes ou medicamentos que pudessem corroborar com a tese de suicídio cometido pela vítima;
  • As manchas de sangue na forma de projeções de alta energia na parede da cabeceira da cama e na forma de concentração impregnadas no lençol do colchão da cama sob a vítima indicam que ali foi o seu sítio de agressão;
  • O disparo foi efetuado de forma encostada na região clavicular à direita, com o lado inferior da borda do cano da arma ligeiramente descolado da pele, o que ocasionou a zona de chamuscamento ao redor da ferida e o formato ligeiramente elíptico da lesão;
  • A boca do cano da arma incidiu de forma oblíqua em relação ao eixo longitudinal do corpo naquela região anatômica, acompanhando o sentido do osso clavicular;
  • A posição final de alojamento do projétil no interior do corpo (região escapular à direita) descreve um trajeto descendente e de tendência anterior/posterior (entrada na região clavicular à direita e alojamento na região escapular à direita)

Quanto aos testes simulados de ergonomia da vítima e agressor, admitindo-se as hipóteses de suicídio e homicídio e com a discussão relatada, o perito instrui que:

  • A postura que a vítima teria que assumir com ambas as mãos , para produzir a lesão descrita, em caso de possível suicídio, revelaria um grau de dificuldade ergonômica extrema para a execução do movimento necessário;
  • A forma e localização da lesão observada no cadáver são consideradas atípicas para a caracterização de suicídio;
  • Sob a hipótese de homicídio, o agressor apresentava ergonomia compatível para posicionar a arma na posição (que provocaria os efeitos na lesão e o trajeto do projétil no corpo) e acionar o gatilho, sobretudo com a vítima com o tronco em elevação.

O laudo afirma, ainda, que o método de alvejamento do corpo utilizado pelo agressor, associado às características da lesão verificada, a ausência no local do instrumento que produziu tal ferida, determina a natureza da morte como violenta, do tipo HOMICÍDIO, em que houve emprego de instrumento perfurocontundente manuseado por, pelo menos, um atirador.

Resumindo, o perito, com base no que foi apresentado, admite a dinâmica parcial e provável em que: Mikaely Steffany Ferraz Spínola estava sobre a cama, com tronco em elevação, quando foi abordada pelo agressor e recebeu disparo de arma de fogo efetuada de forma encostada, produzindo a lesão já referida, em seguida desfaleceu ali e permaneceu naquela posição até a chegada do perito, produzindo assim as manchas de sangue por produção de alta energia na parede e por concentração sob o corpo, evidenciando o local da agressão, vindo a falecer em função da gravidade da lesão experimentada.

Com o laudo em mãos, a Polícia Civil do Pará, deu entrada no pedido de prisão preventiva do cabo PM Gleidson Maciel sob a alegação que o mesmo teria assassinado a jovem Mikaely. O militar, que havia solicitado férias logo depois do ocorrido e voltou a trabalhar no dia 1º de outubro, recebeu hoje (07) voz de prisão do delegado Gabriel Henrique Alves Costa, diretor da 27ª Seccional de Polícia Civil de Parauapebas e delegada Yanna Kaline W. de Azevedo (presidente do inquérito) ,  em cumprimento ao Mandado de Prisão expedido pelo juiz Líbio Araújo Moura, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parauapebas.

O cabo PM foi preso no Quartel da PM de Parauapebas e, na hora da prisão, estava presente um representante da Corregedoria da Polícia Militar do Pará. (Informações site: zedudu)